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Luz, câmera, cinema!

Fonte: Correio Popular - Campinas, 14 de agosto de 2012

Não é de hoje que professores usam filmes para ilustrar suas aulas, mas o que chama a atenção é quando uma escola decide montar um curso de cinema para os alunos e eles se tornam os roteiristas e diretores de curta metragens de ficção ou de documentários.     A professora Fabianna Whonrath Miranda, desde 2003, tem mostrado aos estudantes que o cinema e a produção de vídeos podem  não só ser atividades que facilitam a aprendizagem de outras disciplinas como também aliam entretenimento e podem representar até a descoberta de uma profissão.

O projeto é desenvolvido na Escola Comunitária de Campinas (ECC). A legislação diz que, no Ensino Médio, os colégios devem oferecer formação na área de artes, mas dá liberdade à instituição para organizar a disciplina, oferecendo, por exemplo, aulas de artes plásticas, música ou teatro. A ECC decidiu dar aos alunos duas possibilidades:  design e cinema. “Foi uma forma muito interessante de integrar produção artística e conteúdo”, afirma Fabianna, que também ministra aulas de português na escola. Embora ela tenha feito graduação em letras e linguística na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi na relação entre cinema e educação que ela encontrou temas para o mestrado, concluídoem 2008, e para o doutorado, em andamento,tudo na mesma universidade, onde ela também já lecionou no curso de graduação em midialogia, por meio de um projeto de bolsas para estagiários em docência no EnsinoSuperior.

O curso de cinema e produçãode vídeos na ECC tem duas horas semanais, no primeiro ano do Ensino Médio. Inicialmente, Fabianna faz uma abordagem teórica sobre o cinema como arte e as características de sua produção, como roteiro, cenografia e iluminação. Para isso, ela produziu uma apostila e cada capítulo é ilustrado com um clássico. Assim, para falar de iluminação, ela usa Orson Welles, o cineasta que marcou a história com Cidadão Kane, de 1941. A linguagem do cinema é explicada a partir dos filmes de Alfred Hitchcock e, para falar de roteiro, Woody Allen ganha espaçonasaulas. “Os alunos, de um modo geral, chegam à disciplina achando que o chamado cinema de arte é chato e monótono, principalmente, porque nos referimos, muitas vezes, a filmes mais antigos,diferente do que, em geral, eles estão acostumados a ver no circuito comercial”, explica a professora.

O trabalho, então, é abordar toda a complexidade da produção cinematográfica.  “Mostro, por exemplo, que, num filme bem produzido, o diretor está atento a cada detalhe das tomadas. É isso que justifica uma cena mais longa,masque,se não for observada com atenção,pode parecer sem graça”, diz. De acordo comFabianna ,com o passar das aulas,os alunos começam a ficar mais críticos em relação ao que assistem e a perceber, principalmente, os estilos de cada diretor e o que diferencia um filme feito para ser arte, de outro, meramentecomercial. “O gosto está ligado ao conhecimento”, defende a professora.  Prática Depois da teoria, as aulas práticas passam a envolver um projeto desenvolvido em todas as disciplinas da escola,  Ética e Cidadania. Os alunos viajam a Brasília (DF) e estudam as diversas relações de poder e o papel dos cidadãosna consolidação da democracia .Apartir disso, eles produzem um curta-metragem no formato de documentário sobre o assunto.  Para envolver outros tiposde produção, os estudantes também ficam responsáveis por um filme de ficção. “Como também sou a professora de português, posso dizer que há um desenvolvimento muito grande na produção de texto, principalmente, na narração. Com os exercícios de roteiro, os  ”,diz Outros resultados valorizados pela educadora são a visão mais crítica em relação à produção de programas de televisãoeo uso das produções em vídeo para apresentar trabalhos de outras disciplinas.

Como parte do projeto interdisciplinar desenvolvido anualmente na escola, as aulas de cinema também discutem ética, abordando questões relacionadas ao uso da imagem e o plágio.

Para produzir os vídeos,  os alunos utilizam câmeras de vários formatos, de acordo com o que cada um tem.  A edição é feita em programas de computador disponíveis em pacotes básicos, como o Microsoft Movie Maker. “Faço também a distinção entre vídeo e cinema,  mostrando que, para produzir cinema, teríamos de usar película, o que é muito caro”,  conta. No Brasil, além das companhias cinematográficas,  só a Universidade de São Paulo(USP)e a Fundação Armando Álvares Penteado  (Faap), que têm cursos superiores de cinema, conseguem produzir em película. Os vídeos produzidos pelos alunos são exibidos num dia especialmente reservado para essa atividade, com a presença das famílias e dos colegas de outras turmas.

Resultados - A estudante Fabiana Mendes Murgel, de 18 anos, participou das aulas de Fabianna há quatro anos. “O curso é muito interessante, porque a visão que eu, assim como a maioria dos meus colegas, tinha era muito restrita. Hoje,  quando vou ao cinema, presto

atenção em detalhes que antes passavam despercebidos, como aposição da câmera e o cenário”,diz.  Para Mariana Percário Piedade,de17anos,ocursoindicouaprofissão,jáqueelaacaba

de ser aprovada no vestibular de cinema da Faap:“Fazer a disciplina na Comunitária contribuiu com outras matérias também. Passamos a utilizar vídeos para fazer apresentações,  além de ver no cinema a possibilidade de entrar em contato com a história.  Foi também essencial para desenvolver a nossa comunicação”.

Além da disciplina de cinema e produção de vídeos, a Escola Comunitária realiza, há seis anos, um  festival de curta-metragens de  até 60segundos,em que a participação dos alunos é espontânea. Os estudantes podem inscrever suas produções, avaliadas por Jurados da área de Educação e cinema. O concurso é inspirado no Festival do Minuto, Idealizado pelo cineasta Marcelo Masagão, que Ocorre desde 1991 no Brasil E já estimulou competições semelhantes em cerca de 50 países.  Os alunos passam por todas as etapas e disponibilizamas produções via YouTube, site de compartilhamento de vídeos na internet. Na noite do festival, que neste ano ocorreu na semana passada, os curtas são exibidos e são divulgados os vencedores em várias categorias, como melhor diretor, fotografia, roteiro, trilha original, ator, atriz, edição e melhor filme. “É interessante, notar o olhar diferenciado para as produções que os alunos desenvolvem após terem passado pelo curso de cinema e produção de vídeos. Conseguimos perceber esse avanço pelos ângulos das filmagens e pelos roteiros”,explica a professora Fabianna Whonrath Miranda. Os filmes produzidos  para o festival estão disponíveis no site www.eccine.weebly.com.

 

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