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CAMINHOS - FÁBIO DE BITTENCOURT - Galeria de Arte da Escola Comunitária -"Francisco Biojone"CAMINHOS

CAMINHOS

Fábio De Bittencourt

(1964, São Paulo-SP)

Período: 16 de maio a 25 de junho

Fábio de Bittencourt tem um percurso consistente na produção e ensino da arte. Mestre em Artes Visuais pela UNICAMP, Fábio ministra cursos de arte nas unidades do SESC de Campinas e região. Foi docente da FAAL-Faculdade de Administração e Artes de Limeira de 2007 a 2008. Desde 1999 realiza oficinas de Desenho, Pintura e Historia da arte pelas Oficinas Culturais Regionais da Secretaria Estadual de Cultura de SP. Foi monitor de Historia da Arte do Itaú Cultural de 1992 a 94.  Desde 1985, participa de mostras e salões de arte, recebendo diversas premiações - em 1989 foi premiado no Salão Paulista de Arte Contemporânea e, em 92 e 97, recebeu o Prêmio Estimulo em Campinas.

CONSTRUÇÕES DE CONFRONTO

Fábio Bittencourt é um artista vigoroso. Sua alma dialoga com heranças expressionistas, suas pinceladas são carregadas de emoção, seu ritmo é rápido, alternando a linguagem do cartum com uma experiência pictórica primal. Essa postura se traduz nas pinturas quase automáticas, nas suturas, nas aguadas que encharcam e esguicham as telas e papéis, nos desenhos que demarcam a superfície como cicatrizes.

                A mola propulsora de seu trabalho é a emoção. É ela que emoldura construções sobrepostas,que ora narram figuras, sugerem histórias, ora simplesmente escorrem com a soltura do impulso.

                Em 1989, Bittencourt encontrou na imagem dos morcegos, com sua atração pela velocidade, pelas sombras e pelo perigo, a possibilidade de recriar uma metáfora para o ser urbano. Nessa recriação, Fábio Bittencourt busca a mesma síntese que o faz traçar um paralelo entre o protagonista do filme “Nosferatu”, de F.W.Murnau, do início do século, e os carecas orelhudos do movimento punk dos anos 80.

                Com uma formação consistente no manejo do grafite, da cera, do nanquim e do guache, o artista resolve arriscar outras possibilidades matéricas. Em 1992, estimulado por uma situação em que tinha pouco espaço e nenhuma privacidade, pôs-se a costurar bonecas. Literal e obsessivamente. Das suturas aparente e dos recortes de pano, construídos em dimensões de relíquias ou segredos, Bittencourt foi traçando diálogos sintéticos com o corpo, alternando a linguagem cartunística com sombrios e violentos comentários sobre a natureza humana-mais especificamente e supreendentemente, sobre a mulher.

                De volta à pintura, inspirado nos neo-expressionistas alemães como Baselitz e Lüpertz ou de Philip Guston, ele voltou-se para os contornos e embricamentos das formas, partindo de objetos de seu próprio cotidiano.Como que num zoom fotográfico, utilizando quase que apenas os tons em preto-e-branco, ele expandiu detalhes de tubos de tinta,potes, colheres, batatas, alternando vigor formal com um desmanche pictórico.

                Foi aí que o artista começou a reconquistar, gradualmente, o próprio espaço da obra. Os desenhos e pinturas que apresenta nesta mostra - grandes, esparramados, articulados no uso do carvão, do crayon, da tinta acrílica são o resultado dessa conquista.

                Aqui Bittencourt captou uma nova sintonia, soltando a pintura em busca dela mesma. As construções são intuitivas. Parecem brotar de um susto, que resignado, resolve assumir a imagem que intuitivamente originou. À maneira que remete, por exemplo, a Cezanne,o artista se concentra no fazer artístico e estrutura suas formas e cores à medida em que as pinceladas vão brotando na tela, no papel, no suporte que seja.

 

Katia Canton  (julho de 1996)

Período: 16 de maio a 25 de junho

 

 



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