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Da Concepção a ação

 

Concepção

A Educação Infantil da Escola Comunitária é o espaço e tempo para a criança iniciar sua imersão no mundo público. Saindo do mundo privado, que é a família, a criança se vê fazendo parte de um mundo mais amplo, diversificado, diferente, desconhecido, mas ao mesmo tempo alegre, acolhedor, afetuoso, desafiador... Deve entrar neste mundo pelas mãos confiantes dos pais que, ao delegarem ao professor e à equipe pedagógica o direito de partilhar o cuidado e a educação dos seus filhos, dá segurança à criança para enfrentar esta nova experiência.

Ampliar a visão do mundo, oferecer diferentes e diversificadas possibilidades de olhá-lo e agir sobre ele; de perceber-se como ser único e ao mesmo tempo como parte de um grupo que tem desejos e interesses às vezes diferentes e conflitantes; perceber, aprender e a respeitar as regras de convívio social; apropriar-se e reconstruir saberes e a cultura, são propostas intencionais dos profissionais da Escola Comunitária.

Ao vivenciar experiências físicas, sensoriais, de pensamento ou de ação, a criança conhece cada vez mais a si mesma, o grupo com o qual convive e o mundo onde vive. As possibilidades de vir a amar, cuidar e preservar o que se conhece é maior do que com relação àquilo que se desconhece ou ignora.

Em respeito às crianças, à concepção de educação e ao comprometimento com a formação de cidadãos críticos, cooperativos, responsáveis, ativos e justos. Há um investimento grande na formação dos profissionais que aqui trabalham, não só quanto à competência de saberes ligados aos conteúdos acadêmicos, como também quanto à competência em refletir sobre sua prática, em trabalhar em equipe, em manter coerência entre seu discurso e sua ação, em como promover a aprendizagem de seus alunos, etc.

Como estas concepções e crenças chegam à sala de aula? Que práticas refletem nossas intenções educativas e pedagógicas?

Ação

Consideramos sala de aula todos os espaços onde as crianças trabalham, vivem , utilizam: classe, pátios, parques, banheiros, biblioteca, cozinha pedagógica, quintal, sala de artes, viveiros de animais, corredores, laboratório de informática e de ciências. Em todos estes espaços, as crianças vivem experiências de aprendizagem: recebem informações, aprendem a perguntar e a estabelecer relações, procuram soluções para problemas e conflitos, aprendem a cuidar e a observar, levantam e testam possibilidades, criam , inventam, fantasiam, etc.

A participação das crianças no processo ensino-aprendizagem não se limita apenas a estar na escola ou a fazer as atividades que as professoras propõem: dão ideias e sugestões que são colocadas no coletivo da classe, e sob a supervisão da professora, são discutidas, avaliadas e podem ser aceitas ou não. O trabalho com Rodas de conversa e Assembleias de Classes têm possibilitado a participação efetiva dos alunos em questões coletivas que afetam a comunidade escolar. As Assembleias de Classe são momentos planejados de encontro e participação dos alunos, quando uma pauta dos assuntos a serem discutidos é levantada por eles ou pelo professor. Discussões são feitas, soluções possíveis são levantadas, acordos são acertados e plano de ação é elaborado. Um exemplo foi o desagrado das crianças de 4 anos com os baldes e pás do parque (que são de uso coletivo do curso) que estavam quebrados. Em Roda de conversa, analisaram a situação, propuseram soluções, escolheram as melhores e agiram, envolvendo todo o curso Infantil.

Trabalhamos com Projetos Integrados de Áreas, o que possibilita dar significado à aprendizagem, contextualizando o fazer, o ser e o saber. Os projetos envolvem todas as áreas de conhecimento: Matemática, Linguagem Oral e Escrita, Literatura, Ciências da Natureza, Movimento, Artes, Música e Inglês. O currículo é flexível e vivo e é de responsabilidade da equipe pedagógica. O tema dos projetos, pode ser proposto pelo professor ou pelos alunos. No trabalho com Projetos, a participação dos alunos é fundamental, na medida em que levantam questões, perguntas sobre o tema, e a problematização e mediação do professor também. Por que as folhas ficam amarelas e caem no inverno? Como nascem os porquinhos? A condução e busca dessas respostas em livros, na internet, em vídeos, entrevistas ou na realização de Estudos do Meio são possibilidades para se buscar respostas ou se fazer mais perguntas. Conhecer deve ser um desejo. A curiosidade e as indagações devem sempre povoar nossas mentes, sejam adultos ou crianças.

Na Educação Infantil, realizamos o primeiro Estudo do Meio na vida de nossos alunos. Começamos com o conhecimento de todos os espaços da própria Escola, depois avançamos à visita  a casa da professora, ou levar os patos de volta ao seu habitat, pois aqui chegaram bebês e foram a “matéria viva” do Projeto de adaptação das crianças de 2-3 anos.  Andar de ônibus, ir com colegas e professores é uma experiência realmente inesquecível! Outros Estudos do Meio são realizados em museus, zoológicos, fábricas, feiras-livres, padarias, fazendas,  teatro, ensaio da orquestra sinfônica, exposições de arte e da cultura popular...

Estudando e conhecendo as fases de desenvolvimento das crianças, como pensam, o que necessitam, o que deveriam aprender ou desenvolver, os conhecimentos que já trazem do seu universo familiar e social, podemos oferecer espaços para que novas aprendizagens aconteçam ou  sejam ampliadas. Trabalhar com jogos, fomentando o jogo simbólico, o faz-de-conta, até os jogos de  regras, tem possibilitado o início de um aprendizado amplo e complexo: conhecer-se, conhecer o outro, respeitar as diferenças, respeitar as regras estabelecidas, argumentar, propor mudanças, aceitar o consenso, mesmo que sua ideia ou escolha não seja a aceita, aprender a perder, aprender a ganhar, elaborar estratégias, aceitar desafios, persistir e perceber que ter prazer em aprender é a melhor coisa que existe! E se ainda é possível dividir com alguém o que aprendo e o que ainda desejo aprender, fica melhor ainda!

O trabalho com culinária em nossa cozinha pedagógica tem dado às crianças um punhado de problemas a serem resolvidos: Como separar a clara da gema sem misturá-las? Como amarrar ou desamarrar o avental se o nó está nas minhas costas? O que fazer para o bolinho não grudar nas mãos? Quanto é meia xícara? Por que não conseguimos mais separar o leite que colocamos na massa do bolo? Questões da matemática, da física, da química, ou do dever do cidadão de deixar limpo o lugar que ocupou, de economizar água são refletidas e vividas nestes momentos.

Explorar brinquedos não estruturados, pintar, recortar, colar, confeccionar objetos, reaproveitar sucata, desenhar e escrever são atividades contextualizadas em projetos e no fazer diário. É fazendo que se aprende a fazer. É pensando que se aprende a refletir sobre as coisas e a perceber que este mundo é muito complexo e que o saber será sempre provisório.

Assim como a educação é um processo, acreditamos que o caminho entre as nossas concepções /crenças e nossas ações também se faz, em parceria, durante o nosso caminhar diário, contínuo e refletido. Somos todos seres inacabados!


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