Siga-nos:

Homenageando D.Amélia


D. Amélia deixou-nos muitos escritos para serem lidos e relidos, de tanto ensinamento que eles contêm. Vamos trazer vários deles nos Informativos.

 

NINGUÉM SE PREPARA PARA ENVELHECER

 

                                                                                                                             Amélia Pires Palermo

 

Ninguém se prepara para envelhecer.

A velhice, enquanto somos jovens, está muito distante.



De repente, descobrimos que envelhecemos:

pelos sinais físicos:

diminuição das forças, cansaço, sono, perda da visão, da audição, marcas no corpo, principalmente no rosto, que nos são apontadas pelo espelho e por pessoas que conosco convivem;

 

pelos sinais neurológicos, mentais:

esquecimentos, tonturas,

troca de lugares dos objetos;


 

pelos sinais psíquicos, emocionais:

sentimento de solidão, isolamento,

inutilidade.
 

Diante desses sinais, podemos tomar algumas posições:

ignorar o fato – querer continuar jovem

  vestir-se como jovem

  ter comportamento de jovem

Isso é falso. É enganoso, e, muitas vezes, torna o idoso até ridículo.

 

aceitar a realidade como fatalismo.

Sou mesmo velha ou velho, portanto, não presto para nada, não tenho mais nada para fazer.

Vou esperar a morte.

 

não aceitar a realidade – revoltar-se contra ela.

       sentir amargura, peso, reclamar de tudo e de todos.

 

aceitar a realidade como um ciclo da vida.

 

Lembrar que a vida tem o seu ciclo e, cada ciclo, cada idade, tem o seu ponto forte.

Qual o ponto forte em nossa idade?

A experiência.

Uma experiência acumulada através dos anos.

Experiência adquirida com o nosso próprio esforço, mas também e, principalmente, com a ajuda de muitos:

        pais, mães

        marido, mulher

        filhos

        amigos

        professores (as)

        compadres

        vizinhos

colegas de Escola e de trabalho

        alunos, alunas.

 

Temos uma riqueza acumulada, um tesouro que precisa ser repartido, dividido.

Este tesouro não é mais patrimônio nosso, é coletivo, é de toda uma geração.

Durante a nossa vida fomos escrevendo a nossa história e, através dela, a história de nossa gente, de nossa geração.

A nossa história é linda! Muitas vezes de luta, de sofrimento, de amargura, mas também de alegrias, de conquistas.

Foi a nossa geração que lutou:

      pelo voto da mulher

      pelo fim da ditadura

      pelas diretas – já

pela mudança de governo.

Também foi responsável pela construção do muro de Berlim e por sua derrubada.

Está hoje sendo responsável por esta guerra tão descabida e, por isso, ainda temos que lutar para denunciar. Não podemos nos calar. Não é possível uma nação querer decidir a sorte do mundo.

 

A nossa geração viveu momentos lindos da história de nossa Igreja:

Ação Católica

Mundo Melhor

Comunidades de Base

Movimento de Justiça e Paz.

 

Quando começou a discussão sobre Anistia, muitos, que tinham se exilado, começaram a voltar ao Brasil. Geralmente os exilados voltavam via Viracopos em viagens noturnas. Quantas vezes precisávamos ir de madrugada ao aeroporto esperar as pessoas que chegavam porque tínhamos medo de que fossem sequestrados ao desembarcarem no Brasil. 

Este movimento de hoje – voltar-se para os mais pobres, os menos favorecidos, os excluídos e, entre os excluídos, os idosos. É um avanço!

É de nosso tempo, de nossa geração, movimentos e pessoas responsáveis por grandes transformações sociais e políticas.

 

Temos uma linda história que não pode ser guardada. Ela precisa ser contada.

E somos nós que iremos contá-la, porque nós a vivenciamos.

A sociedade, portanto, também nos é devedora – pela construção de um período importante de nossa história – e por isso precisamos lutar por uma aposentadoria mais justa, pelo direito à saúde e ao lazer.

A sociedade nos deve respeito.

Isso não vai cair do céu, é preciso que nós nos façamos conhecidos e presentes, mostrando com doçura e humildade, e também com firmeza, que ainda somos capazes de, nos bastidores da história, fazermos o trabalho

                      de moderar os exaltados

                      animar os abatidos

                      incentivar os tímidos

                      e levar a todos a Esperança.

É preciso ajudar os mais novos a serem mais solidários, mais comprometidos com a sua própria história.

É preciso ajudar as pessoas a lutarem pelos seus direitos e construírem a Paz.

A Paz é fruto de construção e não de destruição.

A guerra nunca levará à Paz porque a guerra destrói.

Temos ainda um caminho a percorrer e não podemos ficar na janela vendo a Banda passar.

Precisamos novamente fazer parte da caminhada, acompanhar a Banda, talvez mais devagar, porém, com muito mais experiência.

A história não é só para ser vista, ela precisa ser contada e ser vivida.

E nós não podemos ficar só olhando, vendo, apreciando, precisamos caminhar juntos, não importa o lugar, talvez mesmo no final, porém precisamos caminhar.

Não podemos ser só espectadores, achando que o nosso tempo já passou, que já fizemos muito, isso seria perder o “bonde da história”.

É preciso descobrir quais os nossos talentos e fazê-los produzir.

Não importa o quanto vamos render. Não importa qual o tipo de talento, de dom que iremos colocar na partilha. O importante é que este dom não seja enterrado, nem antes e nem conosco. Precisamos deixar a nossa herança, a nossa marca, qualquer que ela seja. Precisamos deixar, aos jovens, à geração que há de vir, uma mensagem de Esperança e Fé.

É esta mensagem que quero deixar a vocês crianças, jovens e adultos – lutar, lutar sempre enquanto tiverem um fiapo de forças para que a Paz, fruto da Justiça, reine no mundo; para que este mundo seja mais humano, menos violento, mais cooperativo e por isso mais feliz.

 

A Alegria e o Dever de Repartir

 Amélia Pires Palermo

 

Embora procure acompanhar todo o trabalho de cada curso através dos encontros com suas coordenadoras, com as coordenadoras de áreas do conhecimento, através de conversas informais (principalmente na hora do lanche), e de participar muitas vezes dos trabalhos realizados com os alunos (as), vivo tendo surpresas. Surpresas agradáveis!

Tenho em mãos os textos do livro: O trabalho com projetos e os Direitos Humanos: um espaço para refletir e vivenciar valores (organizadora: Eliane Palermo Romano; autores: professores do Ensino Fundamental 1).

Por que pensar em publicá-lo? Não seria pretensão?

O trabalho novamente me surpreendeu pela qualidade, pelas descobertas que eu própria fui fazendo e, principalmente, por perceber nos autores esse novo olhar sobre o ensinar e o aprender.

Percebo, no trabalho registrado, a grande mudança que se vem operando -  a necessidade de se compartilhar o saber e a crença no constante aprender.

O trabalho é realmente muito bom, não é perfeito e não será o único, porém é um trabalho construído pelos professores e coordenadoras no seu dia a dia. São pessoas reais, de vida corrida, cheias de afazeres e com muitas indagações, porém, pessoas com um grande diferencial – gostam do que fazem.

Só esses motivos já seriam suficientes para colocarmos nas mãos de outros educadores as nossas buscas, as nossas incertezas, as nossas indagações, as nossas alegrias, para que outras pessoas se sirvam do nosso caminhar, como ponto de partida para novas investidas, ou mesmo para levantar outras. Pessoas interessadas em aprender ensinando e em ensinar aprendendo.

E é este espírito de troca, de colocar à disposição de outros educadores as nossas buscas, que nos impele a publicar este trabalho.

Faz parte de nossa ideologia repartir, colocar para outras pessoas e grupos as nossas experiências e aproveitar, no bom sentido, as experiências e as descobertas de outros educadores. Acreditamos ser este também o nosso compromisso como educador e cidadão.

Temos uma equipe privilegiada que estuda, pesquisa, experimenta, questiona, discorda quando necessário; reparte e convive há um tempo e por isso tem como dever moral e social colocar o produto de suas investigações a serviço de outros educadores. Não por acharmos que o trabalho seja perfeito, melhor, e nem o consideramos acabado, pronto, mas, principalmente, para que seja questionado, aperfeiçoado e que possa receber contribuições que nos ajudem a rever o nosso projeto.

Que este trabalho possa se transformar, depois de revisto, ampliado ou reduzido, no “Nosso Trabalho”. O trabalho coletivo de todos os educadores que se preocupam em fazer a Escola mais presente, com mais significado no dia a dia de cada um de nós: alunos  e professores.

 

E assim continuamos a construir novas possibilidades de Educação na Escola Comunitária,  compartilhando os saberes, as experiências.

 

Nesse domingo passado, no caderno de Educação, Ensino Fundamental e Médio, publicado pelo “Correio Popular”, abordamos exatamente este eixo metodológico: o trabalho com projetos, que continua sendo aprimorado, juntamente com o desenvolvimento de outras práticas pedagógicas também significativas e contextualizadas. Muitos de nossos profissionais são chamados a expor esses trabalhos em outras escolas.

Com relação à construção de práticas mais interativas e colaborativas, também temos  nos dedicado ao uso dos recursos digitais, buscando acrescentar a contribuição das tecnologias que ampliam as possibilidades do ensinar e do aprender. Temos compartilhado essas experiências entre nós e com outros, especialmente o trabalho pedagógico com os iPads, usando a plataforma Mosyle.

Recebemos na ECC várias escolas interessadas nessa troca:  o Colégio Koelle de Rio Claro, o Colégio Jean Piaget de S. Paulo, o Colégio Albert Sabin de S. Paulo, o Colégio Porto Seguro de S. Paulo e de Campinas, Colégio Arbos do ABC,  Escola Modelar Cambaúba do Rio de Janeiro. Vamos receber o Colégio Augusto Laranja de S. Paulo no próximo dia 10/10.

Presenciamos um momento  de busca efetiva quanto ao uso das tecnologias de maneira consistente no campo da Educação. A troca é essencial!

 

Era uma vez... 
 
Era uma vez uma mulher gigante 
num corpo pequeno 
passos calmos 
olhar forte 
palavras sábias 
ouvidos abertos ao ouvir. 
 
Era uma vez uma mestra 
de olhar curioso 
ouvido atento 
palavras inquietantes 
alma imensa. 
 
Era uma vez uma pessoa 
cidadã do mundo 
comprometida 
ser social, 
de ação. 
 
Era uma vez uma educadora 
de um sonho real 
que não se sonha só 
e que ao sonhar junto 
transformou-se em realidade. 
 
Era uma vez uma parceira 
(no sentido mais completo da palavra) 
reflexiva, questionadora 
transformadora 
do eu, do ela 
do nós. 
 
Era uma vez um alguém 
simples 
mas de uma complexidade inteligente 
grandiosa, 
que respeitava 
amava, vivia 
a diversidade. 
 
Era uma vez uma oradora 
que falava de equidade 
de voz ativa 
comprometimento e 
responsabilidade. 
 
Era uma vez uma escritora 
que escreveu nas linhas 
das vidas de tanta gente. 
Marcou, modificou 
completou. 
Troca, caminho, dúvidas. 
 
Era uma vez Ela 
que me fez ousar 
criar, compartilhar. 
me fez saber do eu, do eles 
desse nós. 
que sempre fazia 
com que eu buscasse meu melhor 
e quisesse levar ao outro esse desejo. 
 
Era uma vez uma sonhadora 
que despertava em todos 
o sonho 
o encanto 
a alma. 
 
Era uma vez 
DONA AMÉLIA 
cuja qual 
palavra alguma encontro 
para expressar 
o tanto 
o tamanho 
a grandiosidade 
do seu ser 
e do que foi para mim. 
 
Era uma vez 
NOSSA AMÉLIA 
que voou 
que se fez 
a semente 
o pó 
o ar 
a alma 
a vida! 
 
Saudades eternas. 
 
Ana Karina 
Professora do Fundamental 1 
2° ano D 
 

 

EDUCAÇÃO E PAZ

Amélia Pires Palermo

 

Educar para a paz seria, em primeiro lugar, ensinar a respeitar os direitos humanos mais básicos – respeito pelo outro, qualquer que ele seja. Em que traduziria este respeito? – não privilegiar ninguém. Isto significa respeitar o lugar na fila, esperar a sua vez (desde a sua vaga na Escola), a consulta médica, a sua retirada do carro. Seria conseguir emprego por sua competência e não por ser do mesmo partido, da mesma família ou da mesma comunidade religiosa.

Respeitar o outro seria valorizar o trabalho de cada um, do diretor, do professor, do aluno, do faxineiro, do porteiro. Seria ajudar cada um a amenizar o seu serviço, não sobrecarregando-o de tanto trabalho, a tal ponto que ele mesmo não possa fazê-lo.

Seria respeitar o outro, deixando-o expor até o fim o seu modo de pensar, tentando ouvi-lo, não só para refutá-lo, mas para descobrir o que de bom seria possível aproveitar.

Educar para a paz seria educar numa vivência comunitária, onde cada um tivesse o seu lugar para colocar os seus dons à disposição dos outros, e ser ajudado na correção de seus erros. Onde não vencesse o mais forte, o mais esperto, o mais capaz, porém onde todos se beneficiassem, porque todos saberiam dar a sua contribuição.

Educar para a paz seria ajudar para que as pessoas pudessem expor aquilo que no momento achassem ser a verdade, não se escondendo sob falsas suposições. Onde a pessoa pudesse valer pelo que ela é, e não porque fala mais bonito, tem mais dinheiro, mais posições, mais poder ou porque promete mais.

Educar para a paz seria ter a serenidade de ouvir todas as pessoas, simpáticas ou não, pobres ou ricas, brancas ou pretas.

Educar para a paz seria ajudar a abolir os preconceitos de cor, sexo, raça, religião, ideologia.

Educar para a paz seria... seria... seria...

Porém, ao escrever tudo isto chego mesmo à conclusão de estar sonhando e sonhando um sonho muito individualista. Sonho que só se tornaria realidade por meio de pequenos grupos ou de pessoas carismáticas, idealistas.

Não nego que tudo isto possa e deva ser feito, porém educar para a paz seria o comprometimento de todos os educadores e professores com esta causa – a paz.

Porém, como educar para a paz sem pensar na justiça? Existiria a paz sem justiça?

Como ensinar a respeitar os outros se não é isto que vemos todos os dias em nossa sociedade?

Como ensinar a respeitar o direito dos outros se todos os dias lemos e assistimos cenas de expulsão de pessoas, espancamento, violência e outras coisas mais...?

Volto a me indignar se não seria realidade, se não seria educar para a paz mostrarmos aos nossos educandos a realidade que hoje temos pela frente – pessoas sendo exploradas pela ganância de alguns. Multidão passando fome porque poucos não querem repartir o que têm de sobra. Poucos detendo o poder porque não querem um regime democrático.

Não seria educar para a paz, depois de discutirmos com nossos educandos essa triste realidade, fazê-los sentir-se responsáveis por toda uma mudança?

Seria educar para a paz fazê-los sentir que a mudança precisa ser feita em cada um, no seu meio e em toda a sociedade?

 

Penso que a flor da paz só brotará na terra quando a fome for banida, quando o homem e a mulher puderem ter um trabalho digno, quando cada pessoa for respeitada por ser humana, quando cada um se sentir realmente responsável pela construção de toda a sociedade.

 


Todos os direitos reservados • ECC • Desenvolvido por W2F Publicidade