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Espaço para a reflexão

 

Prezados pais

Estamos abrindo este espaço, onde pretendemos inserir, com frequência, textos para a reflexão sobre a educação de nossas crianças. É importantíssimo que os pais conheçam o que a Escola pensa sobre os vários aspectos do cotidiano da educação de nossos alunos e alunas no âmbito escolar e reflitam sobre a coerência com os valores da família.

 

Texto n° 1 -  É preciso deixar a criança crescer 

Texto nº 2 - A coerência entre a Família e a Escola 

Texto nº 3 Educando para o Consumo Sustentável 

 Texto nº 4  - O uso responsável do Whatsapp 

Texto nº 5 - A vida é bela? 

Texto nº 6 - Prazer  em apresentar, Prazer em conhecer – MUNDO!

Texto nº 7 - Por que trabalhamos com Projetos Individuais com os alunos?

 

Texto nº 8 - A questão do con (viver)

Texto nº 9 - Meu filho foi avaliado. E agora?

Texto nº 10 - Vamos passar de ano?

Texto nº 11 - A participação efetiva do aluno

Texto nº 12 - "Sumiu...e agora"

 
 
 

 

 

       

Texto - n° 1 -  É preciso deixar a criança crescer   
 

                                                                Eliane Palermo Romano – coordenadora do Fundamental 1

Iniciamos o ano letivo de 2016 e os primeiros dias de aula transcorreram muito bem. Ao entrar nas classes ou observar o recreio, pude perceber crianças ávidas por aprender, felizes por reencontrar amigos ou por conhecer novos colegas, como também, curiosas para saber dos novos professores.

Reconhecemos que tudo isto não é um processo fácil e, portanto, o período de adaptação é feito com muito cuidado, com muita observação dos vários momentos da criança na Escola: a entrada, a saída, as aulas, o recreio...

Além da observação feita pelas coordenadoras, assistente educacional, professoras titulares, auxiliares, professores especialistas, monitoras, as crianças são solicitadas, constantemente a expressarem seus sentimentos e a conversarem sobre eles.

Estes cuidados com a adaptação são necessários e ainda mais intensamente nos anos iniciais do ensino fundamental 1, porque essa passagem da primeira infância é o momento onde a criança começa a perceber que crescer significa não ter os pais para resolver suas inseguranças e medos, o tempo todo. E cada criança enfrenta isso à sua maneira.

Os pais, nesse momento, têm um papel fundamental e podem contribuir decisivamente para que o filho inicie esse novo percurso com coragem. Para tanto, precisam acreditar que seu filho é capaz e que precisa enfrentar isso sozinho. Alguns, entretanto, resistem a deixar que o filho enfrente seu tempo de crescer porque vivem, eles mesmos, a insegurança de perder um pouco o filho para a vida.

Neste sentido, observamos, por exemplo, algumas atitudes de mães que, na melhor das intenções, querem levar o filho até a porta da sala de aula e lá ficar até a aula começar, subir carregando a mochila para o filho, conversar com a professora diariamente na porta da classe, pedir para mudar de classe porque o filho não gostou da professora ou disse que não tem nenhum amigo na classe que está, justificar toda vez que o filho não faz a lição de casa, tomar satisfação com o colega que brigou com o filho no dia anterior, e assim tantas outras atitudes de superproteção.

A criança precisa crescer sabendo que os pais são fonte de segurança e proteção, mas que não têm o poder de resolver tudo em sua vida, nem agora enquanto pequenos e muito menos depois. Precisa crescer percebendo que alguns problemas cabem a ela, e só a ela, resolver. É o caso, por exemplo, das dificuldades com a Lição de casa, da convivência na Escola. É na Escola que a criança começa a aprender regras de convivência e solução de conflitos num âmbito maior, conversando sobre eles com os colegas e professores.

Querer resolver todos os problemas escolares da criança pode significar para ela, não precisar crescer, acomodar-se, não desenvolver confiança e autonomia, não precisar aprender a buscar soluções para seus problemas.

Para as crianças isto é extremamente rico e trabalhoso e terá a ajuda da Escola.

Para os pais, é preciso coragem para ver o filho crescer e discernimento entre deixá-lo à própria sorte (agora ele que se vire) e orientá-lo a buscar soluções.

 

Texto nº 2 - A coerência entre a Família e a Escola 

                                            Eliane Palermo Romano- coordenadora do Fundamental 1

Sempre que os pais enviam bilhetes para as professoras, temos como prática que elas mostrem para a coordenação de curso e/ou assistente educacional, para tomarmos conhecimento e também trocarmos ideias sobre qual o melhor encaminhamento para o conteúdo do bilhete.

Tenho uma pasta onde guardo vários deles, porque são, para mim, objeto de reflexão a respeito das relações família e Escola.

Hoje quero trazer para vocês um deles:

“Professora A.

Sugerimos que você coloque uma estrela e assine a agenda a cada dia de bom comportamento de B., ok?

                                                            Obrigada,  C.”

Teria aqui muitas considerações para fazer, mas gostaria de destacar uma: a necessidade de conhecer (pais e professores) qual é a concepção de educação que fundamenta o trabalho da Comunitária, para que as expectativas com relação ao modo como agimos, não sejam frustradas.

Por que não podemos atender ao pedido desta mãe?

Bem, primeiro porque não acreditamos que se educa numa relação bancária – se você se “aplicar” ganhará “rendimentos”. As atitudes adequadas de um aluno deverão ser aprendidas e desenvolvidas como um valor para o próprio aluno e para o grupo da classe e não porque ganhará estrelas ou qualquer outra recompensa.

Em segundo lugar, porque acreditamos que na relação professor-aluno temos papéis assimétricos, onde o professor é a autoridade que tem a obrigação de ensinar aos alunos atitudes adequadas para uma boa aprendizagem e para um bom convívio com os colegas e adultos. Ao ter que distribuir recompensas, a “autoridade” é o aluno, pois ele pode escolher não ganhar estrelas e continuar não tendo atitudes adequadas.

Em terceiro lugar, porque acreditamos que a educação deve ser transformadora, ou seja, favorecer a aquisição de conhecimentos, atitudes e valores que são universalmente desejáveis e que caracterizam o homem que queremos ajudar a formar, conforme descrevemos nos documentos do Projeto Político Pedagógico da ECC.

Há famílias que reivindicam ou sugerem práticas e dizem: “a Escola não ouve a gente”. De fato, ouvimos, mas não podemos atender a pedidos que contrariam as concepções do Projeto da ECC.

 

Esta é a responsabilidade da Escola: zelar pela coerência entre as práticas e princípios. Neste sentido, conhecê-los é fundamental.

 

Texto nº 3 - Educando para o Consumo Sustentável  

                                          Eliane Palermo Romano – coordenadora do Fundamental 1

 

Neste ano de 2016, a Comunitária optou por trabalhar com os alunos o “Entendimento Global”, tema sugerido pela UNESCO para as escolas associadas a ela, como é a nossa.

Um dos objetivos de trabalho com o “Entendimento Global” é levar os alunos a perceber as consequências do nosso comportamento cotidiano. Assim, é uma oportunidade para que as escolas discutam estilos de vida, de modo a torná-los sustentáveis.

A ideia é trabalhar com a perspectiva do entendimento global a partir do entendimento local, explorando o conceito de sustentabilidade, tendo como foco o consumo responsável.

Analisamos a amplitude e a complexidade do tema, principalmente para ser compreendido e assimilado por crianças de seis a dez anos, como é o caso do Fundamental 1.

Depois de refletirmos sobre a viabilidade e os caminhos possíveis para trabalharmos o tema, buscamos estabelecer relações com os temas dos Projetos de classe do 1º semestre.

Assim, nos 2os anos, vamos abordar o tema “Brinquedos e Brincadeiras”, tendo como um dos focos o consumo de brinquedos. As crianças costumam ser as grandes vítimas do consumo exagerado. Estão mais sujeitas ao imperativo do ter, já que ainda não conseguem avaliar criticamente as demandas nelas introduzidas.

Não é simples para os pais remar contra a maré, principalmente quando os filhos argumentam que quase todos os colegas já têm o que pedem. Aos pais cabe perceber que se trata de uma competição em relação ao “ter” e desacreditar que isso coloca seus filhos fora do grupo. (Consultem sobre isto: alana.org.br).

Nos 3os anos, a relação do consumo sustentável será feita pelo tema do Projeto “Alimentação Saudável – um direito de todos.” Além dos objetivos que já trabalhamos, um dos focos será o desperdício e a sustentabilidade social e ecológica dos métodos empregados na produção de alimentos, sempre tendo em vista que estes conhecimentos tragam benefícios na alimentação do dia a dia de nossas crianças. Assim como na relação do consumo dos 2os anos com os brinquedos, a parceria com a família é fundamental.

Nos 4os anos, o Projeto de classe – “Respeito às diferenças culturais”, as crianças conhecerão a cultura europeia e a cultura indígena no Brasil, no século XV, quando estas duas culturas se encontraram a partir da chegada dos portugueses em 1500. A questão a ser problematizada é: o que aconteceu com essas culturas ao se encontrarem? Partindo deste objetivo, será possível refletir como essas duas culturas “consumiam” a natureza e quais as consequências destas formas de se relacionar com a ela.

Nos 5os anos, um dos objetivos de trabalho é que os alunos compreendam que o atual espaço brasileiro foi formado e organizado ao longo da história, mediante as modificações realizadas nas paisagens das regiões Nordeste, Sudeste e Sul, a partir da presença negra e imigrante. Para isto, os alunos aprendem a caracterizar as paisagens naturais do espaço brasileiro, a relacionar a escravidão negra e a imigração com o processo de transformação das paisagens e a posicionar-se criticamente diante dos problemas socioambientais decorrentes do processo de ocupação, levando em consideração a sustentabilidade.

Esperamos com este trabalho manter o compromisso previsto em nosso Projeto Político Pedagógico, que visa fornecer, aos alunos, conteúdos necessários para conhecer o mundo em que vivem, e, principalmente, que transfiram esses conhecimentos para agir e transformar suas próprias vidas.

Vamos trabalhar com informações, conceitos, estratégias e vivências que possam ter alcance no dia a dia dos alunos e que sejam uma oportunidade de reflexão sobre um padrão de consumo ambiental e socialmente responsável.

Penso que, ao divulgarmos o trabalho com estes valores, as famílias podem nos ajudar a refletir com seus filhos, assim como colaborar com seus conhecimentos e experiências.

Escola Comunitária de Campinas

Ensino Fundamental 1 – Espaço para reflexão

 

                                            Texto nº 4  - O uso responsável do Whatsapp 

                                 Eliane Palermo Romano – Coordenadora do Ensino Fundamental 1

                                  

Tem chegado para nós, através de algumas mães, o incômodo a respeito de comentários veiculados pelo Whatsapp sobre fatos do dia a dia da Escola. Esta semana, particularmente,  chamou nossa atenção o fato de uma criança de 8 anos ter colocado na pauta da assembleia de classe a seguinte crítica: “Uma vez eu briguei com uma colega e outras duas colegas da classe ficaram falando isso para as mães delas, que falaram disso no grupo das mães.”

Refletindo sobre estas situações, decidimos compartilhar com vocês a preocupação da Escola em relação ao uso do Whatsapp entre as mães, pois o que temos observado é que os comentários vão crescendo, muitas vezes com informações equivocadas, sem que haja uma procura, por parte das famílias, de esclarecimentos pelos canais competentes da Escola, ou seja, os professores, a coordenação e a direção.

Os assuntos tratados pelo Whatsapp têm sido os mais variados: a lição de casa, os conflitos entre as crianças, avaliações de diversas naturezas, enfim, situações do nosso cotidiano escolar. Desta forma, gostaríamos, mais uma vez, de esclarecer que se queremos desenvolver em nossas crianças a responsabilidade, a iniciativa, a autonomia, a ética, precisamos da colaboração dos pais no sentido de permitirem que seus filhos aprendam a enfrentar as situações escolares. Por exemplo, deixar que seus filhos assumam a lição de casa como tarefa exclusiva deles. Desde o cuidado para anotarem na agenda o que é para fazer, a tentativa de compreensão da atividade explicada em classe, até a sua realização. Temos criança que não se preocupa mais com tudo isto, pois “a mãe fará por ela”, inclusive utilizando o Whatsapp.

Nossa equipe pedagógica está muito bem preparada para lidar com possíveis dificuldades apresentadas pelos alunos em relação à lição de casa, portanto, não há motivo para que os pais assumam esta responsabilidade.

É preciso, sim, incentivar os filhos para que enfrentem as dúvidas, as incertezas e inseguranças, orientando-os para que, eles mesmos, busquem soluções e se sintam fortalecidos.

“— Mamãe, não copiei toda a lição de casa!”

“— Então, filho(a), amanhã você vai tomar mais cuidado, ser mais atento e procurar copiar tudo. Hoje você conversará com a sua professora sobre o que aconteceu e ela vai orientar você”.

“— Mamãe, não entendi o que é para fazer!”

“— Tente fazer da forma como conseguir. Se não, leve suas dúvidas amanhã para a sua professora e ela vai orientar você.”

Simples assim. Mas não tão simples assim se a criança está acostumada a não enfrentar o que é de sua responsabilidade porque sabe que o adulto “vai dar um jeito e resolver por ela”. Aí haverá conflito, mas é preciso, em algum momento, mudar os padrões de comportamento e cooperar para o crescimento de crianças responsáveis e seguras.

Em relação aos conflitos entre as crianças, como foi o caso da crítica para a assembleia de classe citada acima, a orientação é a de que a família incentive a criança a falar com as professoras para que, através do diálogo entre os envolvidos, possamos educá-los para a convivência pacífica, para a construção de repertórios de ações que não usem de nenhum tipo de violência, nem física, nem verbal, para o não julgamento precipitado, para o reconhecimento dos sentimentos envolvidos no conflito, enfim, para desenvolver neles a competência nas relações. Os comentários no Whatsapp, que também acabam chegando para as crianças, não possibilitam todo este trabalho, e, muitas vezes, até desautorizam a Escola perante as crianças.

Precisamos acreditar que é na escola que as crianças entram em contato com um ambiente social mais amplo e diferente da família, o que lhes propicia aprendizagens sociais, tais como saber conviver com os demais, aprender a reivindicar, a argumentar, a posicionar-se perante o grupo-classe, a lidar com frustrações, a aprender com o erro, enfim, precisamos dar a elas a oportunidade de vivenciar tudo isto sob a supervisão e orientação de uma equipe de profissionais da educação.

Para isto, a confiança no Projeto Pedagógico e Educacional da Escola e em sua equipe é fundamental, assim como conhecer mais de perto quais as intenções educativas da ECC e a estrutura de formação e acompanhamento do desempenho de nossos profissionais. Não desejamos a confiança cega, mas aquela pautada na possibilidade de dialogar para esclarecer, informar e construir.

Hoje, com a facilidade e o alcance da comunicação pelas redes sociais, precisamos de muito discernimento para avaliar as informações que nos chegam. Neste sentido, reafirmamos que o melhor canal para conversar sobre as questões da Escola é a própria Escola através de seus responsáveis.

 

                                          Texto nº 5 - A vida é bela? 

                        Eliane Palermo Romano – coordenadora do Ensino Fundamental 1

 

Esta semana acompanhei uma classe em um Estudo do Meio que nos rendeu aprendizagens bastante significativas. Em um dado momento do estudo, uma criança foi picada por uma formiga. Chamou minha atenção a desproporção entre o fato e a reação da criança. Muito aflita, chorava, gritava que estava ardendo e mal conseguia ouvir o que falávamos a ela. Depois de uma postura firme do professor que coordenava o estudo, solicitando que se acalmasse e parasse de chorar para que pudéssemos tomar as providências necessárias, esta criança conseguiu sentir que, diante de uma atitude firme e respeitosa do professor, podia confiar na idoneidade do adulto para atuar sobre sua situação e logo se acalmou.  Refletindo sobre o fato, certifiquei-me do quanto é importante na educação de nossas crianças, estarmos à frente, liderando-as e não atrás, carregando-as, e rendidos aos seus caprichos, inseguranças e fragilidades.

Esta situação me fez lembrar de um texto, do qual infelizmente não sei a autoria, e que considerei pertinente compartilhar com vocês. O texto se chama “Merthiolate”.

“Quem tem um pouco mais de “experiência”, para não dizer idade, ainda é capaz de lembrar do ardor causado pelo Merthiolate, que é um antisséptico para ferimentos.

Eu, moleca que era, vivia ralando os joelhos, cotovelos e o que mais conseguisse, e não sei o que era pior: a dor do ferimento ou o ardor do Merthiolate.

Ainda ouvia da minha mãe que “se ardia era bom porque estava matando as bactérias”... ela nunca assoprava, o que na época, eu achava sádico, mas que hoje sabemos que era sábio, afinal, quando se assopra uma ferida, podemos infectá-la ainda mais com as bactérias presentes na boca.

Enfim, cair, primeiro doía e depois ardia. Com o tempo, o Merthiolate criou uma fórmula que não arde mais. Com o tempo, não permitimos que nossos filhos sintam nem o ardor do antisséptico, nem os ardores da vida.

Estamos criando uma geração que não sabe o que é ardor, fome, sede, espera, paciência. Carregamos um kit completo “antipitis” na bolsa, com água, bolachas, celular, tablete, caderno, lápis, analgésico. Nossos filhos não podem esperar.

Esperar quinze minutos por uma comida? Jamais! Dez minutos por uma água? Não! Não podem ir a restaurantes sem espaço para crianças porque não suportarão a permanência no local.

O que estamos criando?

Nossas esperas foram boas e até hoje a vida nos ensina a esperar. Certamente, nesse exato momento, você está esperando por algo: uma cura, uma promoção, uma ligação, comprar uma casa, uma viagem, engravidar, qualquer coisa. Você está esperando. E sua mãe não tem a solução de seus problemas na bolsa dela...

As crianças devem e podem esperar. Nós, como pais e educadores, temos a obrigação de ensiná-las a esperar porque temos que prepará-las para a vida como ela é.

A criança tem uma necessidade, fica chata, não temos paciência e damos o que ela quiser. Qualquer coisa. Ferrari? Paris? Viagem a Disney? Qualquer coisa, mas pare de birra!

E assim, nossa baixa resistência aos apelos dos filhos nos levam ao erro. Nada mais arde. Nem Merthiolate.

Na verdade, tudo continua ardendo, apenas damo-lhes a falsa sensação de que nada mais arde, de que tudo é imediato. É isso que queremos ensinar?”

 

 

 Texto nº 6 -PRAZER EM APRESENTAR, PRAZER EM CONHECER – MUNDO!

Marilda Jorge Pastori – Assistente Educacional – Fundamental 1

                Abrindo novos caminhos, trazendo novas descobertas...

            “Vejam só: estamos saindo da Rodovia Dr. Heitor Penteado e entrando na Rodovia Dom Pedro I, observem que nossa Escola está ao lado direito, lá no alto”.

            “Agora iremos transitar por uma marginal da rodovia D. Pedro...alguém sabe o que é uma marginal”?

            “Observem durante o trajeto, os elementos naturais e os elementos transformados pelo homem”.

            “Olhem...plantações de laranja, de cana”...!

            “Aqui as ruas são de paralelepípedo, são estreitas e as casas possuem platibanda, bandeirola, características do Tempo de Bisavós”.

            “Estamos entrando na zona rural – observem as fazendas, com casas de colonos, sede, animais pastando”.

            “Ali temos um trecho de Mata Atlântica, em área de preservação ambiental”.

            E assim, entre tantas outras possibilidades, respondendo as inúmeras perguntas, vamos explorando com nossos alunos durante os trajetos que fazemos antes de chegarmos ao destino de nossos Estudos do Meio. Na ida, novos conhecimentos. Na volta, troca de saberes, de descobertas, descontração, conversas soltas, referendando os vínculos de amizade entre alunos, alunas e professores.

            Apresentar o mundo é parte importante do processo educacional, tanto da escola, quanto da família.

            Muitas vezes percebemos que as crianças tendem a baixar a cabeça, mergulhando os olhos e o pensamento no mundo dos tablets, celulares, vídeos durante as viagens que fazem, pois muitas delas ao chegarem na Escola, não conseguem contar sobre suas descobertas, sobre trajetos, sobre os lugares que conheceram. Dizem sim, o nome do Hotel que ficaram...

            Vamos apresentar às crianças que estão no banco de trás, o mundo que está à frente, sem perdermos a oportunidade de explorarmos aquilo que está ao alcance de nossos olhos.

            Assim a viagem que fazem, não ficará reduzida em: “falta muito para chegarmos”?, “o que tem mais para comer”?,” mãe fala pra ele(a) desencostar do meu lado”, “tenho que ficar com cinto ainda”?“vai demorar”? Entre tantas outras...

            Explorar o mundo não apenas em viagens!

            No quintal de nossas casas, na pracinha, no trajeto até a escola, por exemplo, quantas oportunidades!

            “Vamos ver, quais locais conhecidos ficam próximos à Escola, à nossa casa”. Assim vamos explorando os pontos de referência.

            “Acho que deve ser um ninho de beija-flor”.

            “A grama cresceu, em época de chuva ela cresce mais rápido”.

            Nos pequenos gestos, nas frases curtas, nos diálogos intensos, nas histórias que contamos, nas leituras que fazemos, poderemos acrescentar muito na vida de nossas crianças.

            Gostaria de ressaltar o quão difícil é para a equipe dizer sim ou não, diante da pergunta: “Tudo bem ele(a) faltar duas semanas, porque temos uma viagem marcada?”

Quanto às faltas, a responsabilidade em realizar as atividades, que ficaram por fazer, será compromisso do(a) aluno(a) para com a Escola.

 Entendemos a demanda de cada família, a questão de custos, as férias dos pais fora do período regular das férias escolares, a importância de cada viagem, as experiências e bagagem de conhecimentos que trazem a cada descoberta, mas também queremos a “escola viva”, com a participação dos(das) alunos(as) nos debates, nas argumentações do dia a dia da sala de aula!

Sabemos que as viagens trazem aprendizados para a vida toda. Portanto, é importante aproveitar a oportunidade de explorar o mundo seja na escola, na família, trazendo nossas crianças que estão no banco de trás, envolvidas com seus eletrônicos e em silêncio, para olharem e conversarem a respeito do mundo que está à frente!

 

 

Texto nº7 - Por que trabalhamos com Projetos Individuais com os alunos?

                                                      Eliane Palermo Romano – Coordenadora do Fundamental 1

 

Cada um de nós é um ser único e, como tal, aprende de diferentes maneiras, com diferentes ritmos, com habilidades e preferências por determinadas áreas do conhecimento, com recursos pessoais e competências desenvolvidas ao longo da vida.

Partindo deste pressuposto, procuramos apresentar aos nossos alunos uma diversidade de metodologias de aprendizagem, de tal forma que estas diferenças individuais possam ser contempladas e respeitadas.

Assim, os alunos trabalham com Projetos de Classe, Projetos Individuais, Módulos de Aprendizagem, Atividades Permanentes e Atividades Ocasionais. Cada uma destas metodologias permite ao aluno trabalhar com diferentes conceitos, procedimentos, atitudes e valores, desenvolvendo um conjunto de conhecimentos necessários para estar bem no mundo em que vive.

Hoje, escolhi falar a vocês, pais, sobre o Projeto Individual, carinhosamente apelidado pelos alunos de P.I.

O P.I. é uma metodologia construída pela nossa equipe pedagógica para desenvolver nos alunos os seguintes objetivos:

- Favorecer o interesse e o gosto pelo estudo: como sabemos, a motivação é um dos fatores fundamentais para desenvolver o gosto pelo estudo. O fato de o aluno poder escolher um tema de seu interesse para realizar o seu projeto individual abre uma possibilidade motivacional nova, raríssima na cultura escolar tradicional, em que tudo é definido pelo professor;

- Aprender a aprender: a partir de um tema que o aluno escolhe estudar, ele se vê diante de uma série de procedimentos que ainda não domina, mas que são fundamentais para aprender qualquer conteúdo, em qualquer tempo de sua vida. Assim, com a mediação das professoras, o aluno aprende a:

- delimitar o tema, escolhendo um foco para trabalhar;

- justificar a sua escolha, relatando qual a importância que atribui ao tema;

- selecionar fontes de informação de diferentes naturezas, como, por exemplo, textos de livros, entrevistas, sites;

-  tratar a informação para obter os dados desejados e compreendê-los;

- registrar os dados obtidos utilizando diferentes recursos (textos, desenho, foto, cartaz, PowerPoint, maquete...);

- elaborar um cronograma de trabalho, estabelecendo metas e responsabilizando-se pelo cumprimento dos prazos de entrega de cada etapa do trabalho;

- comunicar oralmente o seu trabalho para diferentes públicos, como colegas da própria classe, de outras classes, para os pais.

Como podemos observar, o P.I. possibilita a aprendizagem de habilidades importantes na aquisição de qualquer conhecimento – este é o nosso foco. Não se trata apenas de transcrever a informação obtida nas fontes e apresentá-las. Neste sentido, a mediação das professoras é fundamental neste trabalho. Por isto, o P.I. deve ser realizado em sala de aula e não em casa. Os pais poderão contribuir conversando com a criança sobre o tema escolhido (mas não escolher por ela), trocando ideias quanto ao interesse pelo tema, disponibilizando (se tiverem, pois a Escola oferece) fontes de informação adequadas para trabalhar em classe.

Todo este processo de trabalho com as habilidades é, para nós, tão importante quanto o resultado. Aliás, os dados da aprendizagem do aluno são obtidos muito mais durante o processo, do que apenas pelo resultado final. Pouco significa, na aprendizagem do aluno, um belíssimo cartaz ou uma maquete perfeita feitos com a ajuda de adultos, em casa, se durante o processo o aluno apresentou dificuldades ainda não superadas.

O P.I. tem sido, desta forma, uma metodologia motivadora para os alunos, ao mesmo tempo em que enfrentam, com autonomia crescente, o desafio de ler, compreender, interpretar, escrever e comunicar.

Finalizando, vale dizer que o trabalho com Projetos Individuais atende aos interesses particulares de cada aluno no que diz respeito aos assuntos estudados. No entanto, este caráter aleatório ou permissivo da escolha do tema, não deve permear toda a metodologia do trabalho. Pelo contrário, os alunos devem apreender, dessa experiência, que a motivação para o conhecimento vem pelo próprio prazer de conhecer e desvendar o mundo, mas que isto exige muito trabalho, organização, disciplina e comprometimento.

Texto nº 8 - A questão do con (viver)

                                   Mariza Andrade Bernal Nascimento – Coordenadora do Ensino Fundamental 1

 

Os alunos e alunas vivem na Escola diferentes situações de aprendizagens. Aprendizagens dos conteúdos previstos no currículo das disciplinas que contemplam os conceitos, os procedimentos, as atitudes e valores. Essas aprendizagens ocorrem em momentos, em tempos e espaços variados dentro da escola: nas salas de aula, nos corredores, nos galpões, na cantina, nas praças...

Nesses espaços e tempos os momentos vividos são cheios de nuances: aprendizagens de conceitos, de atitudes de valores através de brincadeiras, de jogos, de trocas de cards e figurinhas, brinquedos no parque, árvores do pomar...

Cada uma dessas situações vividas, às vezes, são permeadas por conflitos que possibilitam aos alunos, desde pequenos, tomarem consciência das ações que ocorrem e dos efeitos causados em cada um dos envolvidos.

Muitos dos conflitos vividos são solucionados entre os próprios alunos. Outros necessitam da intervenção de um adulto para ajudá-los a perceberem os sentimentos envolvidos e experimentarem um repertório de possibilidades de encaminhamentos.   

Dentre os conflitos vividos pelos alunos, acontecem situações de divergências de opiniões, de escolhas feitas que não agradam a todos. Acontecem, também, situações de agressividade física e verbal. Nós, os educadores, procuramos atuar com os alunos em cada situação no sentido de ajudá-los a dialogarem, ouvirem o outro, falarem sobre suas ações, perceberem os sentimentos envolvidos e as consequências que decorrem de cada situação.

Algumas crianças, diante das situações de conflitos não procuram ajuda das(os) professoras(es) ou monitoras e ao encontrarem com seus pais relatam as situações ocorridas. Esta atitude tem uma importância, pois revela confiança na família e necessidade de ajuda. Alguns pais diante desta situação, orientam os filhos a contarem para um adulto da Escola o fato ocorrido e buscarem, assim, uma ajuda efetiva para a situação que ocorreu na escola. Também há pais que nos procuram para ouvir o outro lado da situação, para melhor orientarem seus filhos.

Consideramos que cada situação é única e que cada criança reage de uma maneira diante dos conflitos. Acreditamos que aos poucos os pequenos vão construindo recursos e tornando-se mais seguros para viverem cada situação. Reforçamos a importância dos pais orientarem seus filhos a relatarem na Escola para os adultos que convivem com eles e desta forma serem mediados na reflexão das ações decorrente do conflito vivido.

Sentimos que nas situações sempre existe a preocupação com a formação do filho neste momento de vida e vemos a importância da troca com a Escola a respeito. São estas ações que ajudam nossos alunos, seus filhos, a se sentirem fortalecidos e seguros nos espaços coletivos.

Cada uma das crianças usa sua fala para expressar seus sentimentos e ideias, emitir suas opiniões, manifestando a sua maneira de ver a situação e o seu envolvimento com a mesma.

É nessa escuta do outro e na maneira como cada um vê a situação é que as crianças vão vivenciando a construção coletiva de encaminhamentos possíveis para resolução dos conflitos.

Assim, desde pequenos vão pensando sobre suas próprias ações e sobre as ações dos outros, conhecendo melhor a si mesmo e ao outro e se fortalecendo nos valores que desejamos viver.

Uma outra maneira de proporcionarmos o diálogo reflexivo na Escola é a prática com as assembleias escolares realizadas semanalmente em cada classe, bem como as assembleias de curso, realizadas uma vez ao mês com os representantes de alunos (as), professores e funcionários. Estes momentos ajudam os alunos, desde pequenos, a viverem o exercício de elaborarem críticas e felicitações aos colegas e de pensarem juntos em possíveis encaminhamentos para os conflitos entre eles.

 

                       Texto nº 9 –Meu filho foi avaliado. E agora?

                                            Eliane Palermo Romano (coord. do Ensino Fundamental 1)

 

Estamos encerrando o 2º trimestre letivo na Escola e nos preparando para as entrevistas. Nesta época, os professores e professoras recolhem e organizam todos os dados de observação e avaliação do aluno para oferecer aos pais e conversarem sobre o desenvolvimento da criança.

Estes dados são explicitados de três maneiras: no relato oral da professora, nos relatos escritos da professora e dos professores especialistas e no boletim com os conceitos e faixas.

Gostaria de destacar a importância dos relatos orais e escritos que trazem aspectos relevantes da vida da criança e que devem merecer toda a atenção e cuidado da Escola e da família. Algumas vezes o que vemos é uma super valorização da família dos conceitos e faixas em detrimento de aspectos que nos falam da pessoa do aluno, de seus interesses, de sua maneira de agir em diferentes situações, de suas habilidades que mais se destacam, de suas dificuldades, dos seus valores expressos nas relações com o estudo, com os colegas e adultos, de seus desejos, de suas vontades, do desenvolvimento da sua autonomia, enfim de indícios que tanto nos dizem...

Assim, queremos dar para a avaliação um sentido muito maior de valor do que de medida. Ou seja, a atenção da Escola e da família deve se concentrar nas ações necessárias diante dos relatos dos professores e não se prender ao fato de ele obter faixa 2 ou faixa 5.

A avaliação não deve ser reduzida a um processo de medida. Dois alunos que obtiveram F2 certamente são duas crianças completamente diferentes, possuem competências e habilidades diversas e necessitam de mediação específica dos adultos.

Para avaliar é preciso ir além da medida, que é apenas um parâmetro e recorrer a indicadores mais complexos, que nos revelam a pessoa do aluno em desenvolvimento, suas potencialidades, seus desafios e suas conquistas.

 

Este é um convite à escuta atenta de tudo o que a criança pode nos revelar e que nossa sensibilidade pode captar.

 

Texto nº 10 - Vamos passar de ano?

                                                    Eliane Palermo Romano – coordenadora do Fund. 1
 

O final do terceiro trimestre letivo se aproxima e muitos sentimentos surgem...

A satisfação de olhar todo o caminho percorrido e ver que o crescimento e a construção de competências, habilidades, conhecimentos, valores e atitudes, aconteceram para todos nós que, de alguma forma, vivenciamos a Escola no dia a dia. Sem dúvida, o crescimento para cada um se deu de forma diferente. Ritmos e habilidades variaram. Competências foram manifestadas conforme a singularidade de cada pessoa. Mas se houve empenho, todos cresceram e, neste sentido, todos nós vamos passar de ano...

A dúvida de que talvez o crescimento pudesse ter sido melhor e os resultados maiores, sempre vem. Mas como dizia Carl Jung, queremos ter certezas e não dúvidas, resultados e não experiências, e nem mesmo percebemos que as certezas surgem através das dúvidas e os resultados através das experiências. Assim, valeram as dúvidas e experiências e, neste sentido, todos nós vamos passar de ano...

O cansaço de toda caminhada exigente também se faz presente e, como dizemos para os alunos, aprender dá trabalho, exige esforço, reconhecimento das nossas limitações para superá-las. Mas há uma beleza no cansaço que não é em vão, no esforço do dever cumprido, e assim, todos nós merecemos passar de ano...

A frustração de não termos conseguido o melhor conceito enquanto aluno, a promoção na escola ou no trabalho, de não termos realizado todos os planos traçados para o ano, de nos sentirmos impotentes diante de muitas situações que vivemos em nossa sociedade.   Ainda assim, vamos passar de ano, porque permanece o desejo de crescer, de atuar, de buscar outros caminhos e novas estratégias...

A alegria que vem do fato de que não é o novo ano o portador da alegria, mas o que fazemos com o presente de cada momento de cada ano. Para isto, vamos começar de novo. Recomeçar sempre. Por onde? Por dentro... sem esperar e precisar que os fatos, as pessoas, as situações de vida, a sociedade mudem.


A participação efetiva do aluno

                                    Eliane Palermo Romano – coordenadora do Ensino Fundamental 1

 

            Uma de nossas metodologias de ensino no Fundamental 1 é o trabalho com Projetos. São vários os princípios que norteiam esta metodologia, mas hoje quero destacar um deles que é a participação efetiva do aluno em todo o percurso do Projeto.

A primeira etapa do Projeto é a apresentação do tema aos alunos. Nesta etapa, a professora propõe atividades para aproximar o tema à compreensão dos alunos, esclarecer a importância desse estudo e apresentar os focos que serão investigados.                                                                                                                                                                           As crianças aprendem a problematizar o tema e a elaborar perguntas. Ao ensinar a fazer perguntas, temos como objetivo o protagonismo do aluno nas questões que serão investigadas, ou seja, o Projeto não é definido apenas pela professora, mas também pelos interesses da classe. Com isto, possibilitamos que as questões se aproximem da realidade dos alunos e tenham significado para eles.

            O passo seguinte à definição das questões é aprender a fazer um planejamento das ações necessárias para obter os resultados desejados. Esta é uma habilidade fundamental para qualquer aprendizado e que, tradicionalmente, sempre coube somente ao professor.

A proposta no trabalho com Projetos é que os alunos participem efetivamente dessa etapa de planejamento aprendendo a buscar, selecionar e definir fontes de informações – textos, livros, sites, entrevistas, estudos do meio, palestras, vídeos, entre outras e compartilhem com a classe. É importante ressaltar que essa aprendizagem deverá acontecer em sala de aula. Portanto, o aluno apenas trará a sua sugestão de fonte de informação, se tiver.

É evidente que as professoras não dependerão exclusivamente da contribuição dos alunos para propor as atividades, pois a equipe de profissionais de cada série/ano possui fontes diversificadas para oferecer. No entanto, é importante que o aluno participe, de alguma forma, dessa etapa do trabalho. Aliás, nossa experiência tem mostrado que as crianças se sentem orgulhosas com isto e que suas contribuições têm sido valiosas e enriquecedoras.

Após todo o trabalho com a definição das fontes iniciais de informação que serão utilizadas, os alunos aprendem a planejar o trabalho no tempo disponível para o Projeto, que é de um semestre letivo. Nessa nova etapa do Projeto, várias habilidades e conteúdos são desenvolvidos e, novamente, buscamos a participação efetiva do aluno.

Esses procedimentos e objetivos pedagógicos precisam ser conhecidos e compreendidos pelos pais, para que a participação dos alunos não seja motivo de desconforto em casa. Algumas vezes, as professoras irão solicitar aos alunos que conversem em casa sobre o tema e os focos do Projeto e verifiquem se têm alguma contribuição a dar – seja uma pessoa conhecida para dar uma palestra ou uma entrevista, seja uma sugestão de um estudo do meio, um livro, um texto, um vídeo. Enfim, o objetivo é despertar no aluno o interesse e a motivação para a participação no desenvolvimento do tema de trabalho.

No entanto, queremos deixar claro que essas solicitações não têm o caráter obrigatório. Sabemos que, dependendo do tema do Projeto, a família pode não ter nenhuma fonte adequada para sugerir. As crianças são orientadas neste sentido e sabem que vão existir, no decorrer do Projeto, outras possibilidades de participação.

Este texto, inclusive, será lido e refletido com os alunos, para que possam ajudar os pais a compreenderem esses procedimentos do trabalho com Projeto.

 

 

                                            “Sumiu...e agora?”

Marilda Jorge Pastori – Assistente Educacional – Ensino Fundamental 1

 

“Minhas cartinhas sumiram…estavam dentro da minha mochila e agora não estão mais!!!”

“Acho que alguém roubou minhas cartinhas...”

“Mas estavam aqui. Eu tenho certeza!”

            Em nosso dia a dia na Escola nos deparamos com queixas de sumiço de objetos e os alunos que deram por falta de alguma coisa, nos procuram para que possamos  ajudá-los a resolver a situação.

            Muitas vezes, basta que tenhamos calma e ajudá-los a procurar na própria mochila, pois mudam o bolsinho que haviam colocado e não se lembram mais.

            Outras vezes, os acompanhamos ao setor de “Achados e Perdidos” da Escola e lá está o objeto. Muitas vezes encontramos o objeto sem nome também, mas a criança o reconhece como sendo seu, pois até mesmo antes de olhar, diz todas as características do próprio objeto.

            Sempre pedimos a colaboração dos colegas para a procura do objeto que sumiu. Ajudam a procurar na própria sala de aula, olham em suas mochilas, pois podem ter guardado sem querer, ou até mesmo alguém possa ter colocado para fazer uma “brincadeira” com o colega, procuram em casa também.

            Não cabe à Escola assumir a responsabilidade em devolver tudo o que perdem, ou tudo que “desaparece”, mas tem a responsabilidade sim de abordar a questão, trazendo à tona o ato educativo, a construção de valores desejáveis e a reflexão sobre as ações.

            Tratamos isso com muita seriedade e acolhimento, pois a criança que traz a queixa, também espera além de soluções, ser acolhida em sua decepção, frustração, desapontamento.

            Nas Assembleias de Classe e nas Assembleias de Curso, os alunos têm oportunidade de se colocarem, de manifestarem seus sentimentos, suas críticas, suas angústias, diante de quaisquer fatos, porém, ressaltando a questão abordada, procuram também dar opiniões para possíveis soluções. Também refletimos sobre a acusação, utilizando primeiramente a palavra “roubo”, e as acusações que às vezes levantam com relação aos colegas, sem terem visto nada, apenas levantam hipóteses ou fazem inferência.

 

            Tomamos o cuidado de preservar a identidade da criança, que às vezes pegou realmente o objeto, seja por curiosidade, por querer muito, enfim, pelos inúmeros motivos que possam surgir. A criança é orientada a devolver para a professora, ou para alguma monitora, ou entregar na coordenação. Ela não precisa se expor perante o grupo, mas que tenha oportunidade de rever sua atitude , devolver o objeto e retratar-se com o colega.

            Sempre que acontece algo assim, entramos em contato com as famílias dos envolvidos, para que cada uma delas possa tratar com seus respectivos filhos a situação ocorrida e os valores que acreditam.

            Mas, e quando não encontramos o objeto ?

            O ato educativo, os valores sempre serão trabalhados, independentemente de se encontrar ou não o respectivo objeto. Acreditamos na construção de valores.

            Contamos muito com a colaboração das famílias, no sentido de estabelecerem uma parceria com a Escola.

            Quando os pais percebem que seus filhos apareceram com algum objeto diferente em casa, é importante perguntarem como adquiriram.

            Depois, entrem em contato com a Escola para que juntos possamos fazer os encaminhamentos. É importante ajudá-los a compreender os motivos que os levaram a pegar algo que não lhes pertencia, sem gerar sentimentos de angústia e culpa, mas sim de se colocar no lugar do colega que ficou sem o objeto, sempre procurando enfatizar os valores desejáveis. Não supervalorizem a devolução também, pois é importante que a criança perceba que devolver e se desculpar é o que se espera dela, também não tentem reverter a situação comprando o objeto do desejo.

            O importante, após a retratação é a tomada de consciência de que não se pode pegar nada do outro, sem o seu consentimento.

 

 

           
        

 

 


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