Pular para o conteúdo

Há alguns anos senti a vontade de recuperar dentro de nossa história um quadro que saía em nosso antigo jornal, “O Comunitário”, intitulado de “Criança tem cada uma”.

Maria Ida Langella Testolino

          Coordenadora do Curso de Educação Infantil e 1º ano do EF1

 

O ano, 1989. Muitos fatos marcantes fechando a década.

Eleições diretas, cai o Muro de Berlim, morrem Raul Seixas, Nara Leão e Luiz Gonzaga, Zico joga pela última vez, naufraga o Bateau Mouche, Naji Narras quase quebra as bolsas do Rio e de São Paulo, o Brasil classifica-se para a copa de 90, Dalai Lama ganha o Prêmio Nobel da Paz, Rain Man vence o Oscar, Imperatriz Leopoldinense vence o Carnaval, 96 torcedores morrem em Liverpool, o inglês Tim Berners-Lee apresenta o primeiro conceito do que seria a Word Wide Web e entre outros fatos … a 1ªedição do novo jornal “O Comunitário”.

Naquele momento, Nye Ribeiro, amiga tão querida, colaboradora de tantos anos e editora do jornal que havia na ECC, trabalha em sua montagem, abordando uma nova concepção em sua construção, que acompanha as alterações de um novo tempo.

As ideias sempre efervescendo em sua cabeça e a abertura de um momento em que o novo miscigena-se à história já construída e a composição dos temas reflete as influências dessa nova época.

É rotina dos pais e dos professores passarem por ela contando situações , falas e conclusões tiradas das observações feitas pelas crianças. Diante de tantas histórias contadas e do inusitado proposto pelos pequenos, ela comenta com D. Amélia. Juntas elas criam o “ CRIANÇA TEM CADA UMA…”

Foi a partir desse momento que o nosso jornal e o nosso cotidiano passaram a contar com o registro das indagações, das dúvidas, das deduções, das desconfianças, das surpresas de frases vindas de nossos pequenos e que tanto foram motivo de emoções, risos, reflexão e surpresa.
A lógica deles é simples, imediata e criativa….

Resgata nosso imaginário, dá sentido onde ainda não o vemos, constrói possibilidades onde havia o vazio.

Dona Amélia, com toda sua sabedoria e sensibilidade, sempre acompanhou e valorizou muito essas falas e repassou esses registros que nos aproximam da pureza e da perspicácia.

Contamos com a colaboração de quem tiver “casos” para contar…

Vou relembrar algumas falas e contar outras atuais…

1989

César (na época jardim A), referindo-se ao novo Comunitário:

“- Quando minha avó “ver” o jornal com a minha fotografia, vai achar que eu sou o presidente”

Alguns anos depois… 

duas alunas do maternal 3 ( daquela época) passando em frente a classe da Alba:
– vamo, a gente tá indo pra “bibloteca”!

 com ar de superioridade a amiga corrigiu:
– não é “bibloteca” é “bliiioooteca”!


2010

Diante das pegadas do “Coelho da Páscoa” na classe do infantil 2 a coordenadora exclama: será que o Coelho pisou na tinta branca e deixou pegadas…
Arthur com cara de: que absurdo você está falando, retoma:
– não é isso, o Coelho é que é branco, então suas pegadas são brancas…

Durante a aula de música com o Infantil 3, o professor Caio relembra o nome dos instrumentos com os alunos. Ao reapresentar um deles, pergunta:
– Quem sabe qual é o nome deste instrumento?
Uma criança rapidamente levanta a mão e responde:
– Eu sei “agasalho”…
Porém diante do olhar um pouco admirado do professor retoma,
– Agasalho não, casaquinho, ou melhor: CAVAQUINHO!!!

 

Alguns anos depois…

2017

Letícia do Infantil 3 pergunta a uma amiga…

_ Na Escola tem amarelinha?

– Tem, lá no balcão…

Thomás do Infantil 3 comenta…

… No Dia do Chá nós vamos ganhar um presente da Escola. Ela está fazendo 40 anos e nós ganhamos o presente.

O amigo responde:

– Olha, o meu pai é maior que a Escola. Ele tem 41!

Caio do Infantil 2, ao perceber uma conversa entre os adultos que falam sem falar, dá um tempo e comenta:

– sabe a minha avó Ana? Quando ela não quer que a gente entenda o que ela tá falando, ela põe uma letra nas palavras…

No 1º ano, o Projeto Astros teve início com a aproximação do personagem Etevaldo.

A professora os questiona sobre sua origem e as crianças levantam muitas possibilidades: Marte, outro planeta…

Rafaela olha para os amigos com total segurança e argumenta:

– gente, vocês estão perdendo tempo. O lugar de onde ele veio está no nome: Etevaldo Artimanha de Souza…ele é de Sousas!

Gostaram?

Logo tem mais…