Pular para o conteúdo
:
:
:

Entre as atividades da ECC Literária, a Escola Comunitária de Campinas tem a honra de receber a escritora Ana Maria Gonçalves, integrante da Academia Brasileira de Letras e autora do aclamado livro “Um Defeito de Cor”.

Tendo em vista o histórico da ECC na busca pela construção de uma política antirracista transversal a seu projeto político pedagógico, a obra de Ana Maria Gonçalves é de grande contribuição para o entendimento da constituição da sociedade brasileira estruturada por relações racistas desde o período colonial, levando os leitores a refletir de forma profunda sobre os impactos do racismo estrutural nos dias atuais.

Ainda, para além desse necessário e urgente debate, é um privilégio poder conversar com Ana Maria Gonçalves sobre seus próprios processos de produção artística, bem como sobre as formas pelas quais a Literatura, a escrita e o trabalho com a linguagem, em si, podem contribuir para a formação de cidadãos conscientes dos espaços que ocupam, capazes de atuar de forma crítica e comprometida na construção de uma sociedade mais justa e democrática. 

Sobre a autora

Ana Maria Gonçalves nasceu em Ibiá, MG, em 1970. É sócia fundadora da Terreiro Produções. Trabalhou com Publicidade até 2001. É autora de Um Defeito de Cor (Editora Record), ganhadora do Prêmio Casa de las Américas (Cuba, 2007). É roteirista (Rio Vermelho), dramaturga (Chão de Pequenos, Tchau, Querida! e Pretoperitamar) e professora de escrita criativa. Eleita pela Academia Brasileira de Letras em 2025.

É co-curadora da exposição “Um defeito de cor”, realizada no SESC Pinheiros em SP. Foi consultora da Escola de Samba Portela, que teve “Um defeito de cor” como tema de seu desfile 2024. Foi escritora-residente de universidades como Tulane University, Middlebury College e Stanford University, e já ministrou cursos e palestras em vários países da América e da Europa. Atualmente mora no Rio de Janeiro e escreve livros e roteiros para cinema, teatro e televisão.

Um Defeito de Cor

O livro conta a história da vida de Kehinde, uma ex-escravizada africana, que narra sua vivência no Brasil durante a maior parte do século XIX desde sua infância.


O romance reconfigurou o lugar da narrativa negra na literatura brasileira ao preencher uma lacuna profunda no imaginário de nosso país. Através da trajetória de Kehinde, Ana Maria nos devolve a humanidade, os sonhos e a identidade de quem a historiografia oficial muitas vezes silenciou. Mais do que um romance, a obra proporciona uma oportunidade de reconexão com nossas raízes, conduzindo-nos a uma viagem por um Brasil que ainda precisa ser contado e compreendido.

Um defeito de cor foi escolhido pela Folha de São Paulo como o melhor livro brasileiro do século 21. Em 2024, o romance inspirou o samba-enredo da escola de Samba Portela, no Carnaval do Rio de Janeiro.