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Por Clara Viana

Com curadoria de Tina Gonçalez, a Galeria de Arte Francisco Biojone da Escola Comunitária de Campinas abriu suas portas na manhã desta terça-feira (18) para a inauguração da AFRÂNIO MONTEMURRO – O mundo ao meu redor. A mostra celebra a liberdade criativa e o lirismo poético do artista visual e ceramista campineiro, revelando sua capacidade de traduzir o cotidiano em um acervo íntimo, tátil e diversificado.

Com um olhar atento e delicado, Afrânio ressignifica o ordinário e transforma em arte elementos que costumam passar despercebidos. Folhas caídas de árvores, galhos, recortes de revistas, fragmentos de gaze e até mesmo exames de radiografia ganham novas formas e poéticas em suas mãos, mostrando como objetos triviais podem se converter em expressões artísticas repletas de sensibilidade.

A exposição apresenta diferentes facetas do trabalho atual do artista. Entre as produções em destaque estão as fotografias registradas pelo próprio celular, nas quais Afrânio captura detalhes e elementos do dia a dia, aplicando, em algumas delas, intervenções manuais diretamente sobre a impressão da imagem.

Outro ponto forte da mostra são os minilivros dentro de caixas de fósforo e miniquadros confeccionados com papéis artesanais. A matéria-prima natural é produzida pelo próprio artista, que pesquisa e desenvolve a técnica como participante da oficina de papel artesanal do Instituto de Artes da Unicamp.

A abertura da mostra coincide com um marco: as comemorações dos 30 anos da Galeria Francisco Biojone em 2026. Marcaram presença na inauguração os estudantes do 9º ano acompanhados pela professora de artes Ana Helena Grimaldi, além de amigos convidados e visitantes.

O ceramista faz parte da própria história de criação da Escola Comunitária. Ele integra o grupo dos 27 artistas que atenderam ao chamado de Francisco Biojone e Dona Amélia Pires Palermo, doando obras para o emblemático leilão de parede que arrecadou os fundos necessários para a fundação da escola. A mostra é, assim, uma celebração à arte, ao tempo e à memória da comunidade escolar.

Para o Montemurro, expor no espaço carrega um significado simbólico, que une a amizade com os idealizadores da galeria e as memórias dos primeiros anos da instituição. “Minha ligação com a Comunitária vem desde os primórdios da escola. Começou com a Dona Amélia me convidando para os leilões de arrecadação de fundos para a criação da instituição. Sempre tive um vínculo afetivo com ela e com o Biojone, e realizamos projetos juntos voltados à arte. Gostei muito de fazer esta exposição em uma galeria que leva o nome do Biojone e ver este espaço que frutificou e cresceu”, concluiu.

Visite a exposição!

A exposição segue até o dia 16 de outubro. O público interessado pode conhecer o acervo mediante agendamento prévio pelo telefone (19) 3758-8500, conforme as datas disponíveis no calendário da escola.