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Por Clara Viana

Na noite de ontem (14), a Escola Comunitária de Campinas (ECC) inaugurou a exposição “Clóvis Graciano – Memória e Identidade”. A mostra, que apresenta o acervo de um dos grandes nomes do modernismo brasileiro, é a segunda exibição oficial dentro das comemorações dos 30 anos da Galeria de Artes “Francisco Biojone”.

O evento de abertura reuniu familiares do artista, curadores e profissionais das artes da região, destacando a importância de Graciano para a identidade cultural nacional. A curadoria foi assinada por Tina Gonçalez, coordenadora do Núcleo de Artes da ECC, em parceria com a ex-aluna e bisneta do pintor, Maria Gabriela Graciano.

Para Maria Gabriela, o convite para realizar a mostra na escola aconteceu em um momento estratégico. Ela desenvolve atualmente um projeto literário que visa democratizar a obra do bisavô para as novas gerações.

“Casou muito fazer aqui na Comunitária, porque é a obra dele atingindo um público mais novo, que ainda não conhece o seu trabalho. Isso é o mais importante de estar em uma escola, especialmente uma que valoriza tanto a arte”, afirmou a cocuradora da exposição.

Se a curadoria já carregava simbolismo suficiente, a data escolhida para a abertura adicionou uma camada ainda mais densa à noite. O dia 14 de maio seria o aniversário de 106 anos de Amélia Pires Palermo, diretora fundadora da ECC e Professora Emérita da instituição. Dona Amélia, como é lembrada pela comunidade escolar, era tia-avó de Maria Gabriela Graciano.

Para Tina Gonçalez, não há como separar os fios dessa trama. “Trouxe a aproximação da Maria Gabriela, que é bisneta do Clóvis e sobrinha-neta da Dona Amélia, uma pessoa fundamental para a nossa história. Essa abertura comemora os 30 anos da galeria e, simultaneamente, celebra a memória de quem construiu a nossa escola”, destacou a curadora.

Clóvis Graciano foi um expoente do lendário Grupo Santa Helena ao lado de nomes como Volpi, Rebolo, Mario Zanini, entre outros. Foi parceiro e amigo pessoal de Portinari e Jorge Amado. De origem humilde, ele despontou como um “artista proletário” que buscou democratizar a cultura por meio de seus murais, acreditando firmemente que o painel pertence a todos que queiram vê-lo.

A exposição na Galeria Biojone honra esse pensamento ao expor obras de coleções particulares e registros documentais que revelam sua atuação como muralista, ilustrador e desenhista.

A mostra seguirá até o dia 24 de junho. O público interessado pode conhecer o acervo mediante agendamento prévio pelo telefone (19) 3758-8500, conforme as datas disponíveis no calendário da escola.